quarta-feira, setembro 06, 2006

Este meu oceano

Fecho os olhos e as pestanas fingem tocar as bochechas rosadas e ensucadinhas, bem delineadas pelo sol. O sono apoderou-se do meu corpo e caío, pesada, a dormir. Já em sonho, mergulho num oceano de rostos e expressões que tão bem pensava conhecer e de outros que assumia, por certo, não conhecer.
Os traços são os mesmos, mas a água deste oceano tem um sabor, uma luz, uma temperatura diferentes, não deixa de ser H2O mas é mais transparente e mais quente.Toca-me de uma maneira que me deixa sensivel, atenta e deslumbrada, como "flor a florir desmedida", como a cheiro a terra molhada, como folha de orvalho no crepusculo da manha. Assim são as pessoas deste meu oceano. As gentes aparecem como salpicos migrantes do continente e afagam-me a alma de água na sua forma mais livre e solta, no seu jeito mais discreto e puro, mas sobretudo do modo mais vital e imprescindivel-água no seu estado de vapor!
Com estes salpicos, surpreendo-me pelo imenso companheirismo e entendimento que se desvanece, pelo calor e energia que me transmitem quando os visito, só comparáveis ao pôr de sol que agora mesmo se esconde no horizonte deste oceano. Redescubro-os e sinto-me mais eu.
Este oceano é para todos nós uma força expansiva e libertadora, fazendo-nos emanar aquilo que de melhor temos para dar.
Contrariamente ao que se possa pensar, a côr do oceano não é só uma, nem mesmo neste meu mar. Para acentuar esta brisa de elevação de alma e ser há a oposição daqueles que não captam a essência do oceano e que, mal chegam, agregam-se em nuvens prontas a condensar...Infortunados, nunca saberão o que estão a perder. Esses não contam; rapidamente desaparecem da vista, do meu olhar. Só fica quem importa.

(fotografia de Jo, 2006)

De novo a harmonia, o turquesa no mar e no céu. Estou outra vez a flutuar. Aragem leve e refrescante.
O despertador toca. Bocejo, esperguiço-me e limpo as ramelas. Pouco a pouco, volto à realidade quotidiana, conformada com mais um sonho interrompido e certa que não levará muito a ser esquecido. Numa última tentativa olho para a janela do meu quarto para confirmar que é mesmo o dia que se anuncia. Mas este dia, hoje, vem diferente. Hoje não é só um, não é um qualquer dia. De mãos dadas, lá estão as primeiras nuvens do céu azul e o meu oceano caloroso e lúcido de salpicos, gotas e gotinhas.
Meia perplexa, lembro-me de pensar que os sonhos não podiam ser reais, porque não devem ser explicados.
(fotografia de Jo,2006)

Todavia como pode algo que é sentido não ser real e verdadeiro?E porque insinstimos em procurar explicações para os sentimentos?
Sei, e isso posso dizê-lo porque sinto, que estas 9 ilhas norte-atlânticas têm uma energia muito peculiar que encutem a quem as visita. Quem encontrar este oceano, jamais voltará igual!